Recife

Lat: -8.054278055660500, Long: -34.881256090198000

Recife

Pernambuco, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

No ano de 1535, Olinda e o seu porto junto aos arrecifes identificam os inícios de um processo de apropriação do espaço que ainda não ocorrera de forma tão completa em outros lugares do Novo Mundo. Um racionalismo no pensar e fazer. A sede do governo, a Vila de Olinda, lugar do casario, o porto, o povoado dos arrecifes e a plantação formavam uma triangulação perfeita, em termos de sistema produtivo racional. Nascendo num tempo igual ao da sede, sendo resultado daquele sistema antes referido, o povoado do Recife atendeu o desejado para um excelente porto, referido inclusive em 1530, cinco anos antes da sua fundação, pelo navegador Pêro Lopes de Souza no seu Diário de Bordo. Olinda, por força do incêndio ateado pelos holandeses em 1631, ficou estagnada no tempo, demorando a se soerguer. O povoado do Recife, ampliado e desenvolvido pelos holandeses, se firmou face à proximidade do porto, tornando‐se alvo, ao longo de sua história, de diferentes intervenções no seu tecido urbano. No Recife, desde 1630, instalou‐se o governo holandês da Conquista da Companhia das Índias Ocidentais. O governador João Maurício de Nassau, em 1639, organizou numa ilha próxima ao porto uma cidade, à qual deu o nome de Maurícia. Com a derrota holandesa, o Recife, então cidade marítima dos holandeses no Brasil, perdeu tal condição, voltando a ser povoado. Em 1709, diante do seu desenvolvimento económico, garantido pelos "mascates", comerciantes vindos de Portugal, grandes transformações foram se verificando, inclusive com a instalação na vila de ordens religiosas, à semelhança daquelas de Olinda. Uma aquarela, representando a vila em 1756, deixa‐nos perceber uma bela paisagem urbana, onde o casario e igrejas se destacam. Face à proximidade do porto, o Recife crescerá de maneira acentuada no século XIX, e nele vão surgir várias edificações neoclássicas e ecléticas, que se associam às igrejas das casas religiosas e paróquias, de rico lavor barroco. No século XX, um novo porto, onde os navios atracavam diretamente, provocou a demolição de um terço da parte mais antiga da cidade, fazendo surgir no local uma "Paris dos trópicos". A partir da metade desse mesmo século, grandes avenidas destruiriam ainda mais. A cidade foi alvo de melhoramentos urbanos que, realizados por sobre a malha mais antiga, a destruíram sensivelmente. Uma arquitetura fiel ao gosto moderno, de presença marcante na cidade, determinou a fisionomia de tais avenidas, deixando ilhas barrocas e ecléticas envolvidas por construções modernas. O Recife é uma cidade de singular paisagem urbana, na qual se distinguem tais tempos históricos, e onde a beleza não se afastou dela, por conta dos rios que a emolduram com rara poesia. A economia urbana propiciou a que a cidade, no seu crescimento, se derramasse por sobre os velhos lugares de plantio da cana‐de‐açúcar, os engenhos. Vários espaços secundários construíram a mancha, hoje adensada, do conjunto urbano, quase unido aos das cidades‐limites do antigo Termo. Um espaço verde, determinado pela área de proteção ambiental da Cidade Monumento, separa‐a de Olinda. Várias construções destinadas à religião e suas características estéticas atraem para a cidade turistas de toda a parte. No velho Bairro do Recife, na Rua do Bom Jesus (antes, Rua dos Judeus), a identificação de uma sinagoga sefardita do século XVII, construída no tempo de domínio holandês, passou, após devidamente reabilitada, a ser ponto de referência para os visitantes da cidade.

José Luiz Mota Menezes

Arquitetura religiosa

Arquitetura militar

Equipamentos e infraestruturas

Habitação

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