Olinda

Lat: -8.009369444444400, Long: -34.855279000667000

Olinda

Pernambuco, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

No interesse de povoar o Brasil, D. João III, na primeira metade do século XVI, instituiu o Regime das Capitanias Hereditárias. A Duarte Coelho foram doadas 50 léguas de costa no Nordeste dessas terras do Novo Mundo. Em 1535, com sua gente, que incluía cristãos‐novos, desembarcou, na qualidade de donatário, em Pernambuco, diante da Ilha de Itamaracá. Logo, com informações obtidas possivelmente de pilotos, que conheciam o litoral da nova terra, se transferiu para uma de cinco colinas situadas mais para o sul daquela ilha e distante uma légua da extremidade de uma península onde existia um porto abrigado, protegido por arrecifes. O povoado dos arrecifes será a partir de então o porto da sede da nova capitania, batizada por Coelho de Nova Lusitânia. Tendo por interesse povoar e não explorar, trouxe para as terras baixas, integrantes de um grande delta formado por rios, principalmente o Capibaribe e o Beberibe, a plantação de uma cana que na Ilha da Madeira era capaz de produzir açúcar. O interesse do donatário era a sustentabilidade de sua doação. Tais rios serviriam no sistema de produção instalado aos barcos de transporte do açúcar para o porto. Eram caminhos fluviais. O açúcar produzido em pequenos engenhos era encaixotado e enviado desde passos (armazéns) junto aos rios para o povoado onde se encontrava aquele porto. Daí o açúcar era enviado para as refinarias da Europa, principalmente aquelas situadas nos Países-Baixos. Duarte Coelho não veio a conhecer o êxito que foi obtido pela utilização do sistema adotado. Morre em 1554. No entanto, ao final do século XVI, a vila sede da capitania era próspera, inclusive na época comparada a uma Lisboa Pequena. As riquezas da capitania atraíram várias ordens religiosas e na organização urbana, visível em carta de distribuição de terras, o foral de Olinda, as casas desses religiosos serão situadas, com as cercas, na faixa litorânea da vila, protegendo‐a dos ventos preocupantes vindos do mar. O casario tem sua distribuição ao longo de ruas, fiéis no traçado à racionalidade decorrente dos novos rumos legados pelo Renascimento. Grandes quintais se derramam sobre as fraldas das colinas, dando ao burgo um ar diferente daquele das cidades europeias. Diante da singularidade da paisagem urbana, Olinda ao final do século XVI era vila muito bela e ao mesmo tempo desejada pelo que representava com a capitania de Pernambuco: uma vitória mercantil. Mais de 120 navios embarcavam açúcar para a Europa nesse momento histórico. Além do casario, setecentos vizinhos, havia aquelas casas dos franciscanos, jesuítas, carmelitas e beneditinos, além de várias igrejas paroquiais. Em 1630, holandeses da Companhia das Índias Ocidentais, com forte armada tomaram a capitania e no ano seguinte incendiaram Olinda. Tudo ardeu, e Olinda se fez "Olanda". Depois de 1654 a vila foi elevada a cidade e lentamente reconstruída. As igrejas e demais casas religiosas foram ampliadas e enriquecidas com belos ornamentos e imagens. Nelas domina o barroco nacional português. A cidade, na restauração de seus edifícios, depois daquele ano de 1654, manteve o antigo desenho urbano das ruas, largos e praças, garantindo assim a unidade e escala de sua ocupação quinhentista. O crescimento do antigo porto diante dos arrecifes, decorrente do modelo urbano holandês, diminuiu a velocidade de recomposição do velho burgo, mas não inibiu a beleza das construções religiosas. A cidade de Olinda se manteve ao lado do povoado dos Arrecifes, que somente em 1709 será elevado à categoria de cidade. Olinda hoje é uma cidade reconhecida como um dos mais notáveis centros históricos do Brasil. Sua gente tem garantido a manutenção desse galardão e no lugar se instalaram vários artistas, suas galerias e ateliês vinculados às artes plásticas, além da existência de um comércio de peças artesanais de grande interesse para os turistas. O fato de ser cidade protegida por sua classificação como Monumento Nacional em muito permitiu o controle de intervenções descaracterizadoras das edificações e da paisagem urbana. Entre Olinda e o Recife uma larga extensão de terra foi deixada livre de construções para proteger melhor sua paisagem. Olinda é Património Cultural da Humanidade.

José Luiz Mota Menezes

Arquitetura religiosa

Arquitetura militar

Equipamentos e infraestruturas

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