Mapusa [Mapuçá]

Lat: 15.591805555556000, Long: 73.812963888889000

Mapusa [Mapuçá]

Goa, Índia

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Com uma posição central no território de Bardez, Mapuçá foi sempre local de cruzamento de diversos acessos, o que favoreceu o seu desenvolvimento como lugar de fortes características comerciais. À feira semanal e à feira anual, realizada na altura das festas de Nossa Senhora dos Milagres, acorrem pessoas de todas as partes de Goa. O aglomerado cresceu entre a colina e a zona baixa de campos de cultivo alagadiços. Desenvolveu‐se em sentido longitudinal, ao longo da estrada que fazia a ligação à restante província de Bardez, do lado poente, e à Igreja de São Jerónimo, que se encontrava já nas suas imediações, do lado nascente. Por volta de 1827, era descrito como sendo de maior dimensão que Pangim. Foi provavelmente esta a razão, juntamente com a sua importância comercial, que lhe conferiu o direito a ser, desde o início do século XIX, o centro administrativo de Bardez e a receber o título de vila. As primeiras transformações urbanas conhecidas datam dos primeiros anos da década de 1840. Foram expropriadas casas, desimpediram‐se e alinharam‐se ruas. Construiu‐se o quartel, do lado poente, e a cadeia, no centro da vila. Dez anos mais tarde, construiu‐se um novo edifício para a câmara municipal. As obras continuaram, e durante o governo do conde de Torres Novas (1855‐1864) foram feitos novos melhoramentos. Entre eles, a rua onde se situava a câmara e que continuava para norte. Seria provavelmente a estas obras que se referiam o decreto que elevou Mapuçá a vila (1858) e José Nicolau da Fonseca (1878), quando mencionavam que tinha melhorado consideravelmente nos últimos anos. Porém, não era opinião unânime. No relatório do ano de 1879, o governador Caetano de Albuquerque (1878‐1882) fez uma descrição detalhada da cidade e referiu que Mapuçá de vila só tinha o nome. Existiam três ruas: a principal, que vinha do lado poente, cuja bifurcação resultava em outras duas, secundárias; uma continuava a principal para lado nascente, a outra seguia para norte. Todas eram descritas como estando num elevado estado de degradação. O governador lamentava que cada um construísse como e onde entendia, apesar de existir legislação municipal aplicável à construção. Pelo seu relatório fica‐se ainda a saber que a cadeia se encontrava sobrelotada; que as escolas funcionavam no quartel; que a câmara albergava grande parte das repartições públicas e que o mercado, a funcionar junto à câmara, não tinha condições de higiene. As castas mais baixas residiam nas redondezas da vila, do lado nascente junto ao cemitério, e as casas melhores encontravam‐se afastadas e isoladas. Pelos elementos conhecidos, verifica‐se que diversos arruamentos a sul do antigo mercado foram abertos ou planeados nas últimas décadas do século XIX. Aplicaram‐se a Mapuçá as mesmas regras de construção que em Pangim e Margão. Fizeram‐se obras de regularização das margens do rio e aprofundou‐se o seu leito. Apesar destes esforços, um relatório sobre as condições sanitárias de Mapuçá, em 1907, dava conta do lastimável estado da cidade. No fim desse mesmo ano, o governador Horta e Costa (1907‐1910) mandou ela‐ borar um plano de melhoramentos e expansão da vila. É provável que as obras feitas nos anos seguintes tenham obedecido a este plano. O crescimento foi‐se fazendo lentamente, integrando a encosta na cidade, situação que já se deixava adivinhar nos finais do século anterior. Em 1920 foram feitas expropriações e até aos finais da década fez‐se a construção de uma avenida na linha de festo do monte, que possibilitou uma melhor urbanização do planalto. A implantação nesse local dos edifícios do liceu e do tribunal e, um pouco mais tarde, da Administração das Comunidades, veio reforçar este novo centro urbano. Foi ainda construída, a meio da encosta, uma rua para‐ lela à linha de festo, assim como alguns arruamentos perpendiculares que fazem a ligação entre as duas. Nesta área desenvolveu‐se uma parte residencial mais desafogada, constituída principalmente por moradias com jardins, que formavam lotes isolados. Na parte baixa, a sul da câmara, e no lado poente da cidade foram igualmente realizadas obras reformulando a malha urbana. Abriram‐se diversas perpendiculares aos arruamentos principais existentes, assim como arruamentos de ligação entre elas. Ganhou‐se terreno às várzeas, que foram delimitadas por uma estrada que ligava a nascente ao Largo da Igreja. No lado poente, os arruamentos seguem de igual modo um desenho mais ou menos regular, com alinhamentos paralelos aos das ruas já existentes. As povoações limítrofes foram a pouco e pouco integradas no perímetro urbano. No início da década de 1930, Mapuçá já era cidade. Na década de 1950, a parte baixa sofreu uma impor‐ tante remodelação, com o aterro de mais algumas várzeas e o início da construção do novo mercado. A enorme área que lhe foi reservada confirma definitivamente Mapuçá como uma cidade de carácter comercial, com um grande bulício populacional.

Alice Santiago Faria

Equipamentos e infraestruturas

Arquitetura religiosa

Arquitetura militar

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