Lubango [Sá da Bandeira]

Lat: -14.919533021794000, Long: 13.489519018551000

Lubango [Sá da Bandeira]

Huíla, Angola

Enquadramento Histórico e Urbanismo

O concelho da Huíla, criado em 1850 pelo marquês de Sá da Bandeira, foi alvo de várias tentativas de colonização e povoamento, quase todas mal sucedidas, inclusive por bóeres, em 1881. Em 17 de janeiro de 1883, a Huíla foi elevada a município, e em 2 de fevereiro de 1901 a distrito. A capital, Sá da Bandeira, concentrou colonos chegados da Madeira e de Porto Santo desde 1885, funcionando como posto avançado do eixo de penetração setentrional e como barreira à penetração bóer e alemã na região do Cunene. A colónia de Sá da Bandeira foi a primeira estrutura que viria a dar lugar à futura cidade. Em 1889 foi elevada a vila, e a cidade em 31 de março de 1923, ano em que o caminho‐de‐ferro atingiu o planalto e a urbe, permanecendo assim denominada até 1978, após a independência de Angola, quando passou a ter a atual designação (Lubango). Nos anos de 1930‐1940, Henrique Galvão encontrou‐a ainda em pleno crescimento: "Por enquanto três ruas estiradas, ao longo das quais mal se começa a reagir contra os defeitos da instalação primitiva e improvisada [...] tudo o mais tem encanto especial: o cenário envolvente, mais do que tudo, depois um ar tão fino como o de Sintra".
Certamente devido à origem dos povoadores, há algumas marcas, na paisagem urbana e envolvente, da transposição das tradições insulares dos colonos, como o monumento ao Cristo‐Rei no alto da montanha, como na Madeira; e na toponímia, encontra‐se um Jardim da Senhora do Monte, obra aliás com escadório (como no Bairro do Monte, nos arredores do Funchal). A Praça dos Fundadores, arborizada e com o edifício da Catedral, marca o centro da cidade, observável na foto datada dos anos 1960. O núcleo inicial da cidade foi implementado segundo uma malha ortogonal, composta por quarteirões sensivelmente quadrangulares, com cem metros de largo. Ficaram inicialmente delineadas "três ruas no sentido este‐oeste, com 550 metros de comprimento, e seis alinhadas a norte‐sul, numa extensão de 300 metros; todas com 15 metros de largura". Com a exceção da envolvente da Praça Central, onde, a julgar pelo edificado remanescente desse período, se verificou uma maior densidade construtiva e um preenchimento quase total das frentes de quarteirão, o restante povoamento desenvolveu‐se segundo uma ocupação de tipo rural. Cada quarteirão foi dividido em dez parcelas, cada uma delas destinada a albergar um casal. A dimensão das parcelas, que teriam em média mil metros quadrados, permitiu que, para além do uso habitacional, se desenvolvessem ali outras atividades de índole rural. A fisionomia rural do centro manteve‐se até à segunda metade do século XX, altura em que já se encontrava ocupada grande parte dos terrenos entre Mucufi e Mapunda e os ritmos de crescimento começavam a justificar uma maior densificação do espaço e o aparecimento de bairros residenciais na periferia mais próxima. Em 1947, foi elaborado para Sá da Bandeira um plano de urbanização da autoria do arquiteto João António Aguiar, no Gabinete de Urbanização Colonial, pautado pela alteração do modelo espacial que até aí perdurara e pela transposição dos limites físicos impostos pelos rios Mucufi e Mapunda. Neste identificava‐se o carácter da estrutura da cidade, de pequenas dimensões, cujo perímetro estava perfeitamente definido, assim como a sua relação com o caminho‐de‐ferro e as ligações às outras cidades. Entre os objetivos do plano estava a regularização do tecido existente e o contrariar do crescimento excessivo para oeste, que estava patente na fisionomia urbana da época, apostando sobretudo na sua expansão a sul. O parque urbano e os equipamentos desportivos passavam a funcionar como remate para sudoeste, após o limite da linha de caminho‐de‐ferro. A cidade estava dividida a meio por um pequeno curso de água na direção nascente/poente. No entanto, o núcleo preexistente situava‐se a norte deste curso de água, organizando‐se segundo uma quadrícula que agarrava as construções antigas, também estruturadas numa lógica de quadrícula, marcando a longitudinalidade do seu desenho. Praticamente no topo a poente surgia, como remate desta quadrícula e transversalmente à mesma, uma praça que, pela sua escala e proporção, se assemelha mais a uma avenida ou boulevard (dado o seu carácter de centralidade e importância), ajardinada e ladeada por edifícios de habitação, comércio, e assumidamente de interesse público (Correios, Palácio do Governo, Banco de Angola, Obras Públicas). Deste plano apenas uma pequena parte foi efetivamente concretizada, ficando por realizar ações importantes, como a circular urbana e a conclusão dos bairros de expansão. Já nos anos 1960, o Plano Regulador, feito na Câmara Municipal da cidade e que, em termos de indicadores, se foi apoiar no plano anteriormente referido, reforçava a estrutura nele proposta no que diz respeito à expansão da cidade, dando mais destaque ao respectivo zonamento. Há ainda referência a um terceiro plano, que parte do plano de urbanização, onde já era apresentada proposta de projeto urbano, reforçando o crescimento da cidade para além do curso de água e estabelecendo critérios para as vias de ligação estruturantes, criando uma rede viária hierarquizada. O crescimento pós‐independência, com a afluência massiva de população à cidade, veio alterar profundamente a fisionomia urbana, que continua contudo a depender da rede de infraestruturas anterior, hoje visivelmente sobrecarregada e deficitária. Monumentos e Estatuária O monumento a João de Almeida constitui a homenagem da cidade ao desbravador da região, e é da autoria do arquiteto José Frederico Ludovice; destaque‐se ainda o monumento a Sá da Bandeira, pelo arquiteto Luís Taquelim, na expressividade que o uso do betão armado lhe confere, e o padrão erigido em 1885 aos primeiros colonizadores madeirenses.

Cristina Udelsmann Rodrigues

Arquitetura religiosa

Equipamentos e infraestruturas

Habitação

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