Assilah [Arzila]

Lat: 35.466047001171000, Long: -6.039832999997200

Assilah [Arzila]

Norte de África, Marrocos

Enquadramento Histórico e Urbanismo

A presença política dos portugueses em Arzila, da qual retiramos o essencial do património arquitetónico e urbano, decorre entre 1471 e 1550. A cidade a que os portugueses se lançaram a 20 de agosto de 1471 era substancialmente maior do que aquela que o atual cordão amuralhado encerra, a julgar pelos vestígios isolados de um troço de muralha islâmica, incluindo uma porta no caminho para Fez, encontrados para o interior sudeste e ainda visíveis em meados do século XX. Este dado concorre para a percepção de um traçado curvo, nos dias de hoje substituído por uma via rodoviária rasgada durante o protetorado espanhol. Trata‐se do perímetro original da cerca árabe de Arzila ocupada pela coroa portuguesa. Os principais edifícios intramuros correspondiam à alcáçova, denominada castelo pelos portugueses, aquando da batalha pela cidade, e à mesquita. Ambos se localizavam nas imediações da Porta da Ribeira e de uma praça central adjacente. Arzila beneficiou, durante cerca de trinta anos, de um tratado de paz estabelecido entre o monarca português e o sultão merínida. Assim, somente na passagem de século D. Manuel I sentiu necessidade de implementar medidas defensivas, no seguimento de um violento ataque e cerco por parte do sultão de Fez, em 1508. Deste modo, as quase oito décadas de domínio português em Arzila ficariam marcadas pela apropriação da cidade numa primeira fase, à qual se sucederia um período de forte investimento nas arquiteturas militares.
As tentativas de modernização das fortificações de Arzila, na ordem do dia a partir da queda de Santa Cruz do Cabo de Guer, em 1541, nunca foram verdadeiramente assumidas. A 30 de junho de 1549 ordenou‐se o despejo da praça, tendo a guarnição partido um ano mais tarde. Porém, 1550 não seria o último desfecho da Arzila portuguesa. A praça regressaria efemeramente a mãos lusas entre 1577 e 1589, fruto de permutas relacionadas com alianças político‐militares.
Apesar de nunca se aludir abertamente a um plano urbano para a vila dos portugueses, diversos indícios concorrem para a ideia de criação ex novo de grande parte do tecido residencial. Aqui estava subjacente uma regulação de canais inerente à vantagem de um terreno destruído e bastante mais limpo, depois do arrasamento provocado pelo cerco e assalto de 1508. O resultado foi a formação de uma série de quarteirões tendencialmente quadrangulares, estruturados a partir de um eixo em cotovelo - a Rua Direita - que estabelecia a comunicação entre o terreiro, para qual concorriam as portas do Castelo e da Ribeira, e ainda a Igreja Matriz e a Porta da Vila.
Algumas ruas paralelas e perpendiculares asseguravam o acesso às casas dos moradores, aos baluartes e às estâncias nas muralhas, à Porta da Vila e ao Mosteiro de São Francisco. Uma rua de contorno separava as habitações das muralhas da vila. Esta é uma situação que subsiste presentemente, acrescentada por pequenas novas vias ou adulterada pelo esventramento de curtos becos em busca da privacidade roubada pelas artérias principais. Era para o terreiro central da vila que convergiam as ruas paralelas mais longas.
O espaço da vila de Arzila conformava‐se num tecido essencialmente ocupado por habitações e lojas, com uma malha tendencialmente regular. Já o recinto do castelo detinha uma ocupação densa, repartida em torno de um pátio. Não só albergava as residências do governador e do alcaide‐mor, os armazéns de pólvora, munições ou armas e o celeiro, como também funcionava como posto de vigia, através das torres de Menagem e do Sino, e como reduto militar para a guarnição.

Arquitetura militar

Arquitetura religiosa

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