Sena [São Marçal de]

Lat: -17.447303002338000, Long: 35.033327992055000

Sena [São Marçal de]

Sofala, Moçambique

Enquadramento Histórico e Urbanismo

A povoação portuguesa de Sena (a cerca de duzentos quilómetros da costa) surgiu a partir de 1521, quando os portugueses começaram a comerciar com um grupo de árabes nas margens do Zambeze, havendo a hipótese desta se localizar no mesmo sítio, ou nas proximidades de Seyouna, referida pelos cronistas árabes desde a segunda metade do século XII, a qual se situava nas proximidades da confluência dos rios Zambeze e Chire, nas faldas da montanha de Baramuana. A povoação, que viria a ser elevada à categoria de vila em 1761 (recebeu o foral de vila por carta régia de 9 de maio de 1761), com a designação oficial de Vila de São Marçal de Sena, foi sede da capitania dos Rios de Sena desde 1635, mantendo-se autónoma do capitão-general de Moçambique até 1688. Constituía um governo regional diretamente subordinado ao vice-rei da Índia. No decorrer dos séculos XVII e XVIII, tornou-se o centro da presença portuguesa na África Oriental. Até 1767 manteve-se verdadeiramente a capital de toda a Zambézia, tendo nesta data a sede da capitania passado para Tete, devido às más condições climatéricas da localização original. A fortificação ali existente foi a primeira obra deste tipo construída no interior de Moçambique. Serviu de ponto de partida para a penetração no império de Mwenemutapa; ao mesmo tempo controlava o Rio Zambeze, a grande via do comércio do interior, após a decadência de Sofala. A povoação, que inicialmente se estendia ao longo do rio, deixou, com o decorrer do tempo, de ser porto fluvial, pelo seu considerável afastamento do Rio Zambeze - cerca de seis quilómetros de terreno arenoso. A soberania portuguesa passou, desde 1892, a estar salvaguardada pela Esquadrilha do Zambeze, recentemente organizada. A primitiva povoação, de que hoje nada resta, teve alguma opulência, possuindo quatro igrejas (a velha Igreja da Misericórdia, já em ruínas no século XVIII; a de São Domingos; a de São Paulo, pertença dos jesuítas, reaberta depois da sua expulsão, em 1759, como Igreja de São Salvador, e, finalmente, a dos Remédios, sita em Macambura, fora do perímetro da povoação) e uma fábrica de fiação de tecidos. Em 1766, existiam pelo menos dezoito casas pertencentes aos prazeiros, possuindo alojamentos para a numerosa criadagem e escravos. Mas este cálculo devia limitar-se apenas às casas dos moradores mais importantes, pois outra fonte, datada de 1778, calculou existirem ali pelo menos setenta habitações. Estas casas, construídas em adobes secos ao sol e cobertas de palha, estavam largamente separadas umas das outras. Eram construídas com os recursos locais, usando mão-de-obra escrava e não especializada. Nos baixos da habitação encontravam-se os armazéns, onde se guardavam as "fazendas" para o comércio; no quintal, protegido por "taipas da altura de dez até quinze palmos", encontravam-se os celeiros, as cozinhas, as oficinas e as hortas. Em 1723 havia apenas duas casas cobertas a telha - as das feitorias do Estado e do Comércio - sendo as restantes cobertas "a palha". Em 1873, Augusto de Castilho dá uma descrição depressiva da povoação: numa área de dez a doze hectares, em terreno pouco ondulado, coberto de mato e erva alta, com arrozais nos charcos pestilentos das baixas, entre carreiros traçados em várias direções, elevavam-se apenas meia dúzia de habitações de pedra, em ruínas, algumas palhotas, tudo rodeado de um "quadrilátero de paus fraquíssimos". Através da Planta da Vila de Sena, de 1879, desenhada por J. A. de Morais Pinto, e de uma vista de 1891 publicada na obra As Colónias Portuguesas (1889, p. 69), sabemos que Sena constituía então um pequeno povoado, com arruamentos convergentes para a fortaleza e em retícula, com várias ruas paralelas e perpendiculares. Além das igrejas referidas acima, tinha ainda a de Nossa Senhora da Conceição (Matriz).

Arquitetura militar

Equipamentos e infraestruturas

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