Tombwa [Porto Alexandre]

Lat: -15.803466988015000, Long: 11.848558333333000

Tombwa [Porto Alexandre]

Namibe, Angola

Enquadramento Histórico e Urbanismo

A expansão urbana ao longo da costa, para sul, levou à criação de dois aglomerados que terão funcionado inicialmente como portos de apoio às viagens de exploração de meados do século XIX, mas rapidamente se desenvolveram sobretudo como centros piscatórios. Trata‐se da Baía dos Tigres, no extremo sul, e de Porto Alexandre (atual Tombwa), a norte da anterior e a sul da cidade de Namibe - ambas localizadas perto da fronteira meridional do território. Como outra povoação litoral da região, refira‐se Lucira, a norte da cidade de Namibe, de pequena dimensão, com uma população bastante reduzida antes e após a independência, ligada especialmente à pesca e produção de peixe seco. O Plano de Zonas de Ocupação Imediata do arquiteto Vasco Morais Soares (1970) apontava para uma readaptação dessas preexistências, não deixando de ser promissor o impulso dado a este pequeno aglomerado. De composição bastante formal, baseava‐se em modelos de cidade moderna tardios, com a reinterpretação da praceta e do quarteirão não regular e a hierarquização das vias, mas com grande sentido de adaptação ao sítio. Mantinha, no entanto, uma avenida central com uma pequena praça no topo, consolidando assim as referências à cidade tradicional. No Tombwa, assistiu‐se em meados do século XX a um período de grande prosperidade, levando à elaboração de planos de urbanização, à definição de uma malha urbana e à construção de algum património de relevo, nomeadamente o Cine Alexandrense, a igreja implantada inesperadamente no deserto, sobre uma arriba junto ao mar, os principais equipamentos de ensino e saúde e o edifício dos Correios. A criação da cidade é antiga, havendo menções à sua fundação datadas de 1854. Encontram‐se referências a dois planos: um Estudo Urbanístico de uma Unidade Residencial da arquiteta Antonieta Jacinto, de 1958, e um Plano Parcial de Urbanização de Zonas de Ocupação Imediata de abril de 1962, do arquiteto José Frederico Ludovice. O primeiro propunha a expansão do aglomerado com a criação de uma zona residencial, numa estreita faixa ao longo da costa, a sul. Ocuparia uma extensão de quase metade do povoado inicial, caracterizada por uma estrutura de quadrícula longitudinal, enfatizando o sentido das preexistências - em termos morfológicos e compositivos, é de referir o corte de estruturas entre o velho e o novo. Se o velho se caracterizava por um conjunto de edifícios de aparente localização aleatória, o novo tinha subjacente uma regra e ordem compositiva entre a tipologia do edificado e a morfologia do espaço público, criando quarteirões abertos, definidos pelas vias, em que os edifícios formavam a frente de rua descontínua, com relações visuais nas várias direções. Esta característica era enfatizada pelas praças, momentos marcantes e de pausa. A nova zona estava separada por uma grande avenida ladeada por um corredor verde contínuo. O segundo plano, de 1962, partia da proposta anterior e dava‐lhe continuidade, bem como às restantes construções ao longo da costa. Apostava em grandes vias perpendiculares ao mar, utilizando o verde como tecido conjuntivo, congregando um conjunto de praças e quarteirões, demarcados por pequenos edifícios isolados que definem a continuidade da rua. Eram visíveis as vias estruturantes, que sugeriam um futuro crescimento de Tombwa.

Arquitetura religiosa

Equipamentos e infraestruturas

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