Cabinda

Lat: -5.558046000000200, Long: 12.193837000138000

Cabinda

Cabinda, Angola

Enquadramento Histórico e Urbanismo

A atual província de Cabinda da República de Angola constituía, nos tempos da administração colonial, um distrito que Henrique Galvão considerou, nos anos de 1940, "o mais valioso território de todo o império português", embora achasse o povoado "sonolento e triste". Referia‐se sobretudo às riquezas naturais que, muito antes do início da exploração do petróleo, colocavam o enclave num lugar de destaque no contexto angolano - as madeiras, o café, o cacau e os palmares. Da mesma época, aproximadamente, conhece‐se o Plano de Urbanização de Cabinda e suas zonas - onde se reflete o modelo da "cidade‐jardim", muito divulgado no primeiro quartel do século XX, com plano espraiado e arborizado. Todavia, os contactos dos portugueses e de outros europeus com o litoral da região de Cabinda - os antigos reinos do Loango, Kakongo e N’Goio - foram precários até aos fins do século XIX e centrados no tráfico de escravos. Só nos finais de Oitocentos nasceu um pequeno aglomerado designado por Porto Rico, adquirido em 1885 à família cabinda Franque para instalação do governo do distrito do Congo, e que esteve na génese da atual urbe. Nesse ano, Cabinda foi visitada por um fotógrafo portuense radicado em Luanda, Cunha Moraes, que a descreveu como "uma grande baía na qual alguns riachos vão desaguar; o comércio neste porto é pouco importante, existindo apenas quatro feitorias portuguesas, duas holandesas e uma inglesa, que é a feitoria chefe, pertencente à casa de Hatton & Cookson". Mas ainda antes da fase de ocupação efetiva que se seguiu à Conferência de Berlim (1885), há notícia de que em 1783 se construiu no local uma fortaleza e uma feitoria portuguesas, destruídas no ano seguinte por uma força naval francesa. Existe uma planta deste forte, desenhada pelo respectivo construtor, Coronel Luís Pinheiro Furtado, mencionada e reproduzida por Luís Silveira. Cabinda foi elevada à categoria de cidade em 1956, embora fosse já capital do distrito do mesmo nome (outrora mais extenso e designado distrito do Congo). O início da atividade dos concessionários da prospecção e exploração dos seus recursos petrolíferos em 1954, com a criação da Cabinda Gulf Oil Company, determinou uma enorme expansão urbanística e a construção de edifícios modernos, não só habitacionais mas de outra natureza, tais como hotéis, cinemas, recintos desportivos, um hospital e um aeroporto regional. Ao centenário palácio residencial dos governadores, situado no topo de uma colina que domina a baía, com muitas alterações posteriores, juntaram‐se modernas edificações, entre as quais merecem destaque a Catedral, a Câmara Municipal e o Cinema Chiloango. Nos arredores da cidade, localiza‐se ainda o monumento comemorativo do Tratado de Simulambuco, celebrado em 1 de fevereiro de 1885 entre Portugal e as autoridades tradicionais, designadas "príncipes de Cabinda", reconhecendo a soberania lusitana no enclave.

João Loureiro

Arquitetura religiosa

Equipamentos e infraestruturas

Habitação

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