Alcântara

Lat: -2.406377777777800, Long: -44.416205555556000

Alcântara

Maranhão, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

A aldeia índia de Tapuitapera ("morada dos tapuias"), elevada em 1648 a Vila de Santo António de Alcântara - a primeira do estado -, teve lugar cimeiro na história e na arte do Maranhão. Em aprazível colina à entrada da Baía de São Marcos, a 20 km por mar de São Luís, dominava as "terras gordas" da Baixada Maranhense, ricas em cana‐de‐açúcar, algodão, arroz, tabaco e frutas. Foco de construção civil e ofícios ricos, como prateiros e entalhadores, tinha um urbanismo linear de ruas largas: a ladeira que sobe do cais às Mercês e à Praça da Matriz, duas paralelas conduzindo daí ao Convento do Carmo - a Rua Grande e a de Baixo - e uma longa retilínea, a Rua Direita, cortada em ângulo reto pela Rua da Caravela, com as suas travessas levando à fonte, às ruínas do Forte de São Sebastião (1763) - antigo Forte de Santo António (1695), onde os jesuítas tiveram Colégio - e ao Largo do Rosário dos Pretos, que provavelmente seguiam as trilhas índias em fila indiana no meio da mata. O fim da escravatura tornou‐a decadente e está hoje quase arruinada, mas muito pitoresca. A Matriz de São Matias (em ruínas) é o centro urbano, com a Câmara (1650) e o Pelourinho em frente, rodeada de casas nobres dos séculos XVIII e XIX. A Praça da Matriz, quase quadrada, é um encanto de propor‐ ções e escala, obra de um engenheiro militar expe‐ riente. As casas, de piso nobre ou dois andares, têm todas varanda de ferro forjado e telhado de duas águas, criando uma sensação de horizontalidade. Muitas pos‐ suem mirante de refrescar. Só muito excepcionalmente são revestidas de azulejo. Hoje são pousadas, bares, o interessantíssimo Museu do Divino Espírito Santo e casas particulares. Também a Rua Direita, cordeada em linha reta por 700 metros, alberga muitos sobrados, sobretudo em módulos de três portas, mas indo até às onze, como o Solar dos Barões de São Bento, cujas maçanetas e ferragens eram em prata. Ficou célebre a história de duas famílias nobres que, à compita e ao mesmo tempo, ergueram dois palácios para albergar o imperador D. Pedro II por uma noite apenas; mas ele, sabendo do episódio, não foi. Na Rua dos Afogados ainda se vê o que resta das sete capelas da "via sacra" da Semana Santa, da primeira leva de imigrantes aço‐ rianos de 1620. O pelourinho foi reposto em 1948 por um particular. De fins do século XVII, é uma coluna maciça em pedra‐lioz de fuste liso, colarinho e capitel, cujo último terço ostenta nos lados as armas de Portu‐ gal encimadas por uma esfera de folhagem. Ergue‐se no seu lugar original, no centro da Praça da Matriz, entre a Casa da Câmara e as ruínas de São Matias.

Rafael Moreira

Arquitetura religiosa

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