Vila Bela da Santíssima Trindade

Lat: -15.004191666667000, Long: -59.947886111111000

Vila Bela da Santíssima Trindade

Mato Grosso, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Vila Bela da Santíssima Trindade foi criada para ser a capital da capitania do Mato Grosso. A decisão de criação da vila data de 1746, quando se emitiu uma carta régia. A capitania veio a ser estabelecida em 1748 e a vila foi oficialmente fundada em 19 de março de 1752. A sua fundação obedeceu a critérios precisos de localização geográfica, tendo‐se instruído a D. António Rolim de Moura, o primeiro governador da capitania do Mato Grosso, que fundasse a vila na margem do Rio Guaporé, reivindicado como fronteira com os territórios espanhóis. Segundo o Anal de Vila Bela, o primeiro passo para a instalação da vila foi a viagem realizada pelo juiz de fora Theotonio da Silva Gusmão, que partiu de Cuiabá em junho de 1751, em direção ao Guaporé, para examinar um local conveniente para a criação do povoado. Quando Rolim de Moura chegou ao local, em dezembro de 1751, já estava concluída a estrada de ligação aos arraiais de Mato Grosso e já existia uma "rancharia" construída para a acomodação da comitiva. O governador decidiu esperar que passasse o mês de fevereiro para ver o nível de subida das águas e, em março, no dia de São José, fizeram‐se as cerimónias da praxe e a vila foi instituída com a respectiva ere‐ ção do pelourinho e distribuição dos cargos. Em outubro de 1752, cerca de sete meses depois da fundação oficial de Vila Bela, Rolim de Moura enviou à corte um circunstanciado relato da sua ação urbanizadora explicando, com alguns detalhes preciosos, o modo como formou a vila no terreno. Afirma que escolheu para praça principal um local mais alto, fora do risco das cheias, fez ali desenhar os quatro lados da praça seguindo os "quatro Rhumos principaes", determinando o oriente para a matriz, o poente para a casa da câmara, o norte para a residência do governador e o sul para os quartéis. Diz a seguir que de cada ângulo da praça fez partir duas ruas retas onde se começaram a construir as casas, todas alinhadas. A descrição da ação do governador é importante, porque segue quase literalmente as recomendações constantes na carta régia de 1746. Em 1757, a vila tinha já, segundo o governador, trinta e quatro casas com cobertura de telha e outras tantas com cobertura de palha, para além da igreja matriz, e de uma capela dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens. Em 1759 foi confirmada a transferência das funções administrativas de Cuiabá para Vila Bela. A vila desenvolveu‐se sobre o plano estabelecido por Rolim de Moura, mantendo as ruas retas e paralelas. Em 1775, o governador Luís de Albu‐ querque de Melo Pereira e Cáceres encomendou ao engenheiro Domingos Sambuceti um novo projeto para a continuação do plano primitivo da vila. A intenção era reverter o processo de expansão para ocidente, dirigindo‐o para oriente, onde o perigo das cheias era menor. Não se realizou exatamente o que constava no desenho de Sambuceti, mas abriram‐se de facto novas ruas para oriente e redesenhou‐se a malha, criando travessas que subdividiam os quarteirões alongados da instalação primitiva. No final do século XVIII, a malha urbana de Vila Bela compunha-se de seis ruas cortadas por quatro travessas. Na praça localizavam‐se o Palácio do Governador, os quartéis e a Casa da Câmara. Em 1780 edificou‐se, nas proximidades do rio, a Capela de Santo António. Cerca de 1788, no outro extremo do mesmo eixo, construiu‐se outra capela, dedicada a Nossa Senhora do Carmo. A igreja matriz, começada na praça principal e não concluída, foi transferida para um vasto terreno por trás do palácio, em 1793, mas continuou por concluir. A partir de 1820 várias funções administrativas foram sendo mudadas para Cuiabá e, em 1835, Vila Bela perdeu o estatuto de capital do Mato Grosso. Durante o século XIX, a guerra do Paraguai viria ainda acentuar a decadência e o abandono a que o Vale do Guaporé estava votado. No final desse século e no início do século XX, a exploração da borracha surgiu como um possível meio de recuperação da economia regional, mas as dificuldades de comunicação impediram o maior desenvolvimento da região, que chegou entretanto a ser produtora de borracha de qualidade. O escoamento do produto obtido no vale era maioritariamente feito a partir do sul (por terra e depois pelo Rio Paraguai) e não pela antiga via do Guaporé‐Mamoré‐Madeira, onde as cachoeiras concretamente impediam a navegação a vapor em certos trechos. Tudo isso contribuiu para manter Vila Bela isolada.

Renata Malcher de Araujo

Arquitetura religiosa

Equipamentos e infraestruturas

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