Natividade

Lat: -11.709808333333000, Long: -47.730752777778000

Natividade

Tocantins, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

Implantado na encosta ocidental da Serra da Natividade, próximo ao Rio Praia, se desenvolveu o arraial de Natividade. A fundação foi no ano de 1734, no entanto há divergências quanto ao responsável: um grupo considerável de escritores da historiografia goiana, como Silva e Souza e Cunha Mattos, atribuem a fundação a Manoel Ferraz de Araújo. Por outro lado, Vaz e Castro, entre outros pesquisadores, considera António Ferraz de Araújo o responsável pelo feito. O trabalho junto à extração do ouro ocorria principalmente na serra. Como é comum nos arraiais mineradores coloniais goianos, o núcleo foi se conformando de acordo com suas necessidades imediatas, sem planeamento, apresentando aí o traçado vernacular e irregular, embora as ruas se apresentem bem alinhadas - consequência do correto alinhamento do casario. A monumentalidade no núcleo fica por conta das edificações religiosas, representadas pela Matriz de Nossa Senhora da Natividade, Igreja de São Benedito e pelas ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, todas do século XVIII. O casario é térreo, inclusive edifícios de maior importância como a cadeia. A horizontalidade é marcada pela largura das fachadas e pelo pé‐direito baixo, principalmente nas casas coloniais do século XVIII. A arquitetura no núcleo no século seguinte recebeu influências diretas da Bahia, com a chegada de mestres oriundos principalmente do centro e oeste baianos. Essa característica não é exclusiva de Natividade: outros arraiais do nordeste goiano, como Arraias, Monte Alegre e Taguatinga, também apresentam essas influências, sendo que a maioria desses núcleos atualmente pertencem ao estado do Tocantins, que se desmembrou de Goiás na década de 1980. Essa arquitetura, implantada principalmente em finais do século XIX e início do XX, apresenta elementos ecléticos adaptados à realidade local, com elementos decorativos em massa e uso de platibandas. Tendo em vista a maior comunicação com a província vizinha em relação aos núcleos da Correição Sul, Natividade desenvolvia intensa relação comercial com a Bahia, principalmente na atividade pecuária. Esse factor provocou novas modificações no casario local, que passou a incorporar uma área no quintal destinada a curral e depósito para armazenamento de acessórios afins. Quando da criação da Comarca do Norte em 1809, Natividade foi sede até 1815, passando depois a sede oficial para São João da Palma. Era Cabeça de Julgado e Freguesia de Nossa Senhora da Natividade, sendo um dos mais importantes arraiais do norte, juntamente com Traíras (Niquelândia). Foi elevada a vila em 1832 e reconhecida como cidade em 1896. Novos bairros surgiram, sobretudo a partir da década de 1960, no entanto não chegaram a interferir na apreensão do núcleo histórico, classificado em âmbito federal. A estrutura urbana conserva sua integridade, assim como grande parte do conjunto classificado.

Arquitetura religiosa

Loading…