Niterói

Lat: -22.880766002594000, Long: -43.104335000187000

Niterói

Rio de Janeiro, Brasil

Enquadramento Histórico e Urbanismo

As terras em torno da Baía de Guanabara recebiam denominações distintas dos índios. De um lado, no território correspondente à cidade do Rio de Janeiro, o nome que acabou batizando toda a baía, do outro lado a alcunha de Niterói, isto é, "água escondida", numa possível referência às enseadas muito fechadas que compõem aquele perfil. Os portugueses iriam denominar essas terras de "bandas d’além", que foram dadas em sesmaria ao cacique temiminó Araribóia, no ano de 1573, em reconhecimento pela sua participação na luta para a expulsão dos franceses. Araribóia instala‐se no alto de uma elevação, configurando a aldeia jesuítica de visitação de São Lourenço dos Índios. Além da aldeia, as terras das "bandas d’além" foram ocupadas do século XVI até inícios do século XIX por uma série de engenhos de açúcar e pequenos arraiais de pescadores, que originaram os povoados de São Domingos e Praia Grande. Nessas terras a área de produção mais importante para a economia da capitania era a Armação, complexo fabril junto ao morro de mesmo nome, onde se indus‐ trializavam os produtos extraídos da pesca da baleia feita no interior da baía e do pescado que era obtido nas enseadas de Jurujuba, São Francisco e São Lourenço e nas regiões oceânicas mais distantes de Itaipu e Piratininga. A sorte das terras das "bandas d’além" mudou durante o período de luto da família real, quando do falecimento da rainha D. Maria I, em 1816. Para se recuperar, D. João resolveu trocar de ares e se hospedar num casarão assobradado na praia de São Domingos, que pertencia ao capitão e negociante Tomás Soares de Andrade. Em troca de mercês, o proprietário doa o imóvel, que passa a ser periodicamente frequentado pelo rei, tornando‐se uma de suas residências. A presença do rei irá desenvolver o povoado, origem da criação da Vila Real da Praia Grande, por decreto de D. João VI de 1819, última vila erigida em solo brasileiro pela coroa portuguesa. É controversa a autoria do "Plano de Edificação para a Vila Real de Praia Grande". Na planta existente na Sociedade de Geografia de Lisboa constam três nomes: o bacharel José Clemente Pereira, primeiro juiz de fora da vila e responsável por delinear o projeto de edificação; o major António Rodrigues Gabriel de Castro, engenheiro militar e que seria responsável pelo levantamento do terreno; e finalmente Arnaud Jullien Pallière, artista francês que veio ao Rio de Janeiro atraído pela presença da corte portuguesa, e autor do desenho. Os historiadores apontam alternadamente cada um dos três como o autor do projeto. A nova vila foi composta por quatro freguesias - São João Batista de Icaraí, São Sebastião de Itaipú, São Lourenço dos Índios e São Gonçalo. A área urbana propriamente dita se estendia de São Domingos, onde estava a residência real, até à Ponta da Armação. Nesta planície, a partir da Rua da Praia, pré‐existente ao plano, foram traçadas quatro ruas paralelas e nove ruas transversais. Todas as ruas deveriam ter 60 palmos de largura, e o plano previa um tratamento monumental à Praça do Rossio, obrigando os moradores das esquinas a construírem sobrados, num tratamento muito semelhante a soluções do período pombalino, como a praça da Vila Real de Santo António, no Algarve. Outro elemento de destaque era o grande Passeio Público, denominado Largo da Memória, que na realidade foi executado na sua quinta parte e hoje corresponde à atual Praça do Rink. O centro de Niterói mantém ainda o traçado configurado no projeto da Vila Real da Praia Grande, que é o melhor exemplo das transformações territoriais da Baía de Guanabara no contexto joanino de sede do império português.

Arquitetura militar

Arquitetura religiosa

Habitação

Loading…